quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Fajã do Calhau - Agua Retorta - Faial da Terra - Açores

 Fajã do Calhau
Água Retorta - Concelho da Povoação - Ilha de S. Miguel - Arquipélago dos Açores 
Republica Portuguesa !

  Kolossal ...!



Uma obra "Kolossal"!
Há quem diga que é uma vitória da determinação e da acção contra a burocracia territorial;
Há quem diga que é o fruto de grande intuição técnica e grande generosidade para com um concelho periférico;
Há quem diga que é o triunfo do pragmatismo contra a pretensão do uso de poder "ilegítimo" por parte de ambientalistas;
Há quem diga que enquanto cães ladram a banda toca e passa;
Há quem diga que é dinheiro deitado à água; Há quem diga que isto mais parece uma mina de ferro em "céu aberto" do que uma acesso viário a uma Fajã;
Há quem diga que esta obra justificaria um estatuto de atracção turistica da ilha.
Eu digo que é "Kolossal".

 
 
  
 




















Se alguém foi herói por aqui, e sobreviveu para contar a história, foram os operadores de máquinas pesadas que abriram esta via. Em obras miúdas, para pregar um prego, são necessários capacetes, coletes reflectores, botas de biqueira de aço e outros adereços de segurança. Por aqui, tais "delicadezas" não foram possíveis. Não ter havido acidentes fatais nesta obra foi um milagre cuja probabilidade de retorno poderá ser de séculos.













Em 2008 - já a "Nau" tinha chegado ao porto ....

É impressionante - como houve quem tenha sido capaz de convencer um Governo a fazer uma obra destas num lugar destes. Talvez porque que se tratava de um Governo "rico" - ou de cidadãos reivindicantes "temíveis" ... ou ambos ...


E, enquanto quem mandava, mandava fazer a obra, os seus subordinados "administrativos" tentavam, paralelamente, impor classificação da Fajã do Calhau como "Espaço Natural" (no P.D.M.); ou seja espaço onde quase nada seria permitido fazer (transformar) para além de deixar crescer canas e silvas ... a menos que esses proprietários se dirigissem a essa Administração Publica "Pedir a Benção" e pagar a respectiva "Taxa". 
Ou seja: a A.P. apropriava-se dos direitos de terceiros (classificar território é frequentemente isso mesmo) ... e, parecia, abria-se a via para os valorizar e usufruir ...



Independentemente de qualquer outra apreciação, esta obra teve um grande mérito: foi feita com "prata da casa" e, portanto, a despesa (e receita) foram feitas por aqui. Ficou dívida, sim, mas também ficou dinheiro distribuído - o que é uma vantagem enorme comparativamente às obras que igualmente geraram dívida mas que não distribuem por cá nada (€s) de relevante.


















2013






                     
                     2014

Passada mais de meia década do inicio desta obra controversa, o seu aspecto está assim:
 


Conforme se vê no “placar/anuncio” acima, a pavimentação final foi orçada em 550k€. Com os habituais trabalhos a mais de 25% pode ter chegado próximo dos 700k€. Como as escavações, várias plataformas experimentais, e estabelecimento do trajecto definitivo - podem ter custado pelo menos 5 vezes a pavimentação final, podendo-se assim suspeitar de um custo total na ordem dos 6x700k€; ou seja próximo 4M€; ou seja proximo dos 400 000€ por cada casa (supondo ainda existirem 40 casas por ali).


Convêm relembrar que a abertura desta via foi feita sem projecto, sondagens ou uma ideia segura de por onde ir, como e por quanto. Ainda são visíveis sinais das várias experiências de traçado que se fizerem ... tendo a obra chegado a ser interrompida, já em fase adiantada, por falta de soluções a partir dai. Como foi ultrapassado esse bloqueio de então é coisa que talvez desapareça no fundo da memória daqueles que estiveram associados ...

 
Todas as coisas más, em maior ou menor dose, tem o seu lado positivo. O desta obra, para além do acesso ao local, teve a virtude de ser realizada (sem imposição de muitas das regras legais) pela "prata da casa". Portanto, se a despesa foi toda dirigida aos executantes da obra, foi dinheiro que ficou a circular pela ilha ... ou créditos bancários que foram possíveis de saldar.


Há uns anos atrás, não havia "ambientalista" que não dedicasse horas mensais da sua vida a combater esta "barbaridade" ambiental. Com o desaparecimento do Veríssimo Borges - parece que todos os outros "abocanharam as chuchas possíveis" e se calaram.
De facto, tendo em conta as fotos acima e as imagens da Google abaixo - não sabemos se foi ou não um crime ambiental - mas seguramente que quem promoveu, conduziu, autorizou, ou se calou, com esta obra - não tem legitimidade para falar contra ou impedir (via legal ou outra) qualquer outra coisa deste calibre.
Mas todos sabemos que - entre legitimidade e poder vai, às vezes, alguma distancia ...
 
Uma coisa parece ser certa: a natureza tem uma grande capacidade de se recompor.   Presentemente as "feridas" na falésia já estão a caminho de cicatrizarem... e a memória a caminho de ser apagada.
E o irónico da questão é que a vinicultura por aqui não se expandiu em consequência - nem recuou o promotor da obra (Governo) na sua imposição de classificar este espaço como "Natural" (proibição de construir qualquer coisa de novo na área).

 
 


Quem passou por aqui nas ultimas décadas pode notar que o mar já afundou o calhau entre  um e dois metros - e que, em consequência, a barreira já subir, em altura, outro tanto.  Portanto, quem quiser manter a área do logradouro e a casa, tem de, periodicamente, reforçar (e aprofundar a fundação) do muro de suporte.

 


Com maior ou menor dificuldade, algumas da vinhas vão se mantendo. Algumas novas até se vão instalando, fazendo-se uso de novas castas e técnicas de plantio. Contudo, o assumir a "faina" da vinha como recreio é coisa que não cola facilmente no espírito das gerações mais recentes.

 
 
 
 

 
 Entre vinha de cheiro (americana) e, supostamente, a touriga ou merlot parece haver uma competição cujo desfecho á já previsível.
 

 É que isso de fazer novas plantações exige recursos e, nos tempos que correm, por vezes não existem na abundância conveniente ...
 
 
 
 
 
 
Como, de passagem, encontramos a Igreja de Água Retorta aberta (freguesia à qual a Fajã do Calhau pertence), entramos ... e fotografamos
(Nª  Sr.ª  da Penha de França)..
 

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