domingo, 20 de abril de 2014

Piscinas Cobertas da Câmara Municipal do Nordeste - Açores


Entre o absurdo e o inconfessável. 
"Complexo de Piscinas Municipais e Fitness Club do Nordeste"
Cap.- I / II
Azores - Portugal
 

Um Domingo quase soalheiro. A ilha já é conhecida e, portanto, em viagens por aqui vale mais a pena procurar novas perspectivas do que procurar novidades.

Entrando pela "vila nova municipal" deparamo-nos com o "terreiro" dos concertos de Verão, com as instalações da PSP, com estruturas associadas ao Tribunal do Concelho e, por fim, com a "kolossal" Piscina Municipal Coberta.



Presença imponente e incontornável. Com um desenho, posicionamento, textura e cor algo “conspícuos”, dão-lhe um ar de equipamento urbano de grande cidade.

Gostaria de realçar que uma visita de lazer não justifica, habitualmente, grandes apreciações históricas, sociais, políticas ou mesmo éticas sobre aquilo que se vai vendo. Todavia, conversa recente com “insider” de questões autárquicas locais, despertou-me curiosidade sobre esta piscina …. e sobre tantas outras construídas em semelhante ambiente, com semelhantes motivações e com consequências também semelhantes.


E esta, por aqui, qual "Alice no prometido Concelho das Maravilhas", bela e isolada, à espera que apareça pretendente capaz de lhe dar a atenção e o suporte compatível com o seu estatuto e com as extensas necessidades de um ser cosmopolita. 

Mas nada de útil tem acontecido desde que aqui chegou: dizem que parece ter sido "moça de vida fácil"; que ganhou hábitos e exigências difíceis de satisfazer; que tem atributos pouco apelativos para os locais e que estes (os locais) são poucos, modestos e de gostos diversos dos dela.

E o tempo continua a passar ... e a beleza da "Alice" continua nem a gerar atenções nem paixões. E até as “rugas” vão aparecendo e os possíveis pretendentes a sussurrar que "quem comeu a carne que coma também o osso". Só que esses (os da carne) parece que já por cá não andam: já deram à sola!


E quem decidiu trazer esta "Alice" para aqui? Se calhar até é "boa garota"! Se calhar até seria uma estrela noutras paragens mais ajustadas a seu perfil! Se calhar foi enganada e, agora, tenta enganar alguém para também sobreviver!


http://www.rtp.pt/acores/index.php?article=16444&layout=10&tm=10&visual=3





E eis-nos, pois, perante mais uma grande infra-estrutura, concebida e executada de forma completamente desproporcional e deslocada da realidade do local. E se é deslocada na função, desproporcionada no peso da necessária manutenção, não é menos no seu surreal custo de "instalação".

Alegadamente concebida com orçamento inicial inferior a milhão e meio de euros, tem (alegadamente também) um rosário de encargos já próximo dos 10.000.000 €! Sim isto é o algarismo "um", com sete zeros à frente (dez milhões). E dez milhões, à taxa de juro corrente, dão um encargo financeiro, excluindo amortizações, próximo dos 55 000 euros/mês
(perto de 100 ordenados mínimos), ou seja perto dos 650 000 euros/ano.
Sim, é um valor astronómico para uma estrutura destas e, muito mais ainda, para um concelho destes. Há quem alegue que foi essa a razão do seu custo ter sido dissimulado na nuvem contabilística da CMN, entre divida directa, divida das EM (empresas Municipais ou participadas) e dividas a fornecedores.

"La grande preuve de la folie est la disproportion de ses conceptions à ses moyens"

Napoleão Bonaparte

E nem se acedeu em localiza-la onde a população, e professores, insistentemente sugeriram (junto à Escola Secundária, como em PDL/Laranjeiras); nem tão pouco chegou a ser acabada e inaugurada!
 

"En politique une absurdité n'est pas un obstacle"
Napoleão Bonaparte

E mesmo que pudesse ter sido propagandeado o contrário, tudo isto feito tendo como publico alvo o da Vila que, junto com a vizinha freguesia da Pedreira, não tem mais de 1350 pessoas e com uma pirâmide etária apontando grande envelhecimento. Enfim, um custo a caminho dos 10 milhões para mil pessoas, ou seja quase 10 mil euros por "cabeça" ou proximo de 40 mil euros por família.

 "Si vous escomptez avoir du succès dans le monde, promettez tout, ne donnez rien."
Napoleão Bonaparte



Esta parece ter sido mais uma das expressões locais da megalomania, irresponsabilidade e “imunidade” dos poderes emanados do sistema politico, e/ou ordem jurídica, vigente. Num espaço urbano com população próxima dos 1000 habitantes (Vila), onde não existia nem tradição, apetência ou pressão pública para tal realização, concebeu-se e construi-se um complexo de piscinas dignas de uma metrópole de milhões de habitantes, mas destinado a ser suportado (e usado) por muito poucos (até agora, por nenhuns). 
 
"Vaincre n’est rien, il faut profiter du succès"

Napoleão Bonaparte

 Imagine-se que seria feito um referendo agora, junto da população da Vila, onde aparecessem as seguintes duas opções para escolha:
1 - Demolir esta estrutura e rejeitar completamente a dívida associada e sob responsabilidade da C.M.N.;
2 – Acabar e inaugurar a piscina  - assumindo suportar as consequências (directas e indirectas) do pagamento da divida associada à realização desta obra e da sua exigente manutenção.
Qual seria o desfecho previsível desse referendo? Será que, mesmo para um “outsider”, seria difícil adivinhar o resultado?

Será que o dirigente autárquico responsável por este “absurdo”, mesmo com a maioria eleitoral conquistada para a governação da Câmara, tinha legitimidade para fazer isto? Será que tinha legitimidade para entregar o futuro das novas gerações à eventual avidez e ganância de interesses externos e/ou aos do próprio executivo autárquico de então? Será que é legitimo que ponham este “mostro” a comer, durante décadas, à mesa das gerações que não votaram na Câmara que realizou isto? E se este "monstro" estiver à mesa com esses  munícipes, quem se julga que comerá primeiro?

“Blessed are the young, for they shall inherit the national debt.”
-Herbert Hoover

“Debt is an ingenious substitute for the chain and whip of the slavedriver.”
Devil’s Dictionary - by Ambrose Bierce, 1911






E poderá esta iniciativa vir a ter alguma consequência positiva na vida da população local?
Veja-se o seguinte e conclua-se: No processo desta construção comprometeu-se o Município a reembolsar à empresa  promotora (por sinal também Municipal, ou participada) um montante que, de deslize em deslize, se situa actualmente próximo dos oito digitos, tendo-se, alegadamente também, garantido a ela (à empresa e seus financiadores) uma TIR superior à taxa de juro vigente.


Desta forma a  expressão do "subsídio comunitário" (o Maná que caia do Céu Europeu e que era "preciso aproveitar" em beneficio dos votantes) passou a ter uma expressão residual. Assim, os munícipes desta Vila poderão ter que assumir, a prazo, a consequência deste "disparate" e que actualmente já terá ultrapassado os 35 000€ por família (encargo financeiro acumulado até agora a dividir pelo numero de famílias da Vila). E, ainda, no futuro, no fim da longa concessão contratada, poderá esse valor atingir muito mais do que acima é apontado.


Com dez milhões poderiam ter-se construído 6 (seis) hotéis de classe “Economy” e de dimensão semelhante (em numero de quartos) ao da Estalagem dos Clérigos (25). Mas para quê mais hotéis se o único construído neste concelho, por sinal pela mesma CMN, e com piscina, está fechado à anos?
 



Se os privados, aqueles que respondem toda a vida pelas suas opções e acções, não investiram no recreio/turismo, porque haveria um Executivo Camarário, passageiro, por vezes ignorante, presumido e imune a responsabilidades reais futuras, fazê-lo?

Dirão alguns que a Câmara tinha um maior acesso as fundos comunitários que os privados (85% a fundo perdido) e, assim, com pouco poderia fazer muito. Mas fazer muito pode ser fazer muito do bom ou muito do mau. E isso de "procurador" fazer algo em nome de terceiros mas sem ter de se responsabilizar materialente pelas consequencia das suas acções, leva habitualmemnte a quê?

"Si mon chapeau connaissait mon plan, je le mangerais"
Napoleão Bonaparte


E se as Câmaras, sob comando de seus "eleitos", tinham "direito" a 85% a fundo perdido (do "maná" comunitário), porque não tinham rebuçados semelhantes os privados com créditos firmados em cada uma dessas áreas?


Dirão alguns que foram os partidos políticos (onde esses autarcas se integram e votam) que produziram regulamentos e leis que levaram a esse diferencial. Assim, ao fazerem a divisão do "maná", poderão ter atendido ao "princípio" de que "Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte". E para legitimarem essa atitude terão se escudado numa "demagógica" procura da defesa do interesse publico, sempre ameaçado por um terrível (e ficcionado) diferencial de idoneidade existente entre os eleitos do regime e o dos seus próprios eleitores. Teria sido quase como se o "procurador" tivesse passado um atestado de falta de idoneidade ao "mandante".

E agora que acabou a "orgia", quem se livra, ou alimenta, o "monstro"?




Esta onda de construções de piscinas municipais cobertas, megalómanas, parece ter sido mais uma pandemia do que um acidente localizado no Nordeste. Promovidas com direcção de Autarcas que não foram reconhecidos atletas de natação (havendo duvidas até se sabiam bem nadar) começou em Vila Franca do Campo (piscina fechada, à anos), passou pela Povoação e terminou na Ribeira Grande (com utilidade e uso por demonstrar). E isto para não falar no que se passou noutras ilhas Lusas!

Neste campo a experiência não ensinou que estas piscinas eram quase inúteis e insustentáveis - mas parece ter mostrado que era moita de onde, sem riscos, se podia extrair muito coelho.



Talvez por estas, e várias outras razões semelhantes, vemos este lindíssimo concelho tão silencioso, tão quieto e com um futuro tão incerto... Talvez seja a consequência de, prolongadamente, se ter passado "procurações", e cheques em branco, a administradores da coisa pública, sem associar a essas "procurações" consequências pessoais desmotivadoras de comportamentos abusivos.
"L'art de gouverner consiste à ne pas laisser vieillir les hommes dans leur poste"
Napoléon Bonaparte


(Ultimo Presidente dirigiu a Câmara em 4 mandatos consecutivos, após vários mandatos como Vereador.
Em 2005 já tinha obtido reforma/aposentação de valor acima dos 2500€/mês)



Da auditoria do Tribunal de Contas de 2006 (feita à 8 anos; à dois mandatos) consta, entre outras coisas, o seguinte:

http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2007/audit-sratc-rel002-2007-fs.pdf#page=5&zoom=auto,0,730

"O complexo de piscinas cobertas foi considerado um projecto «essencial para a dinamização sócio-económica do concelho». Segundo o estudo de viabilidade económico e financeiro, «O início deste complexo desportivo está previsto para o 2.º trimestre do ano de 2005 e a sua entrada em funcionamento estima-se que possa ocorrer no 1.º trimestre de 2006»".

De facto houve dinamização económica mas parece que esta não terá sido muito a do concelho. Da despesa feita com estudos, projectos, consultoria jurídica e financeira, fiscalizações, a empreitada, e financiamento, muito pouco terá ficado pelos privados locais. Para estes, pouco mais lhes coube que a venda dumas refeições e duns maços de cigarros aos forasteiros envolvidos.



Em 2014, após todos esses "estudos" prospectivos contratados pelo município e elaborados por "reputados e isentos" técnicos, ou por "ambiciosos mágicos da ilusão publica", esta construção, nunca usada como piscina, estava ainda assim:



 
O Tribunal de Contas não é uma instituição judicial, mas sim um órgão "autónomo" de fiscalização contabilistica, financeira e orçamental da administração publica, com reduzidos poderes para "disciplinar". Tem boas equipas técnicas e produz informação interessante mas (há sempre um mas) tem uma direcção política (de nomeação partidária). Pena é que os resultados do seu trabalho saiam, por vezes, em capítulos e tarde demais (já fora de contexto e, consequentemente, quase inúteis para corrigir o quer que seja).

Apesar desse estatuto e limitações, é o TdC uma das poucas instituições que tem legitimidade para mergulhar neste mundo e expor algo do que se vai lá passando. Veja-se, assim, o que mais  aparece na dita auditoria de 2005/6 do TC:






Sete (7) Empresas Municipais, uma das quais (a Gesthidro) com sede em Braga e a outra (Nordeste Parque) em fase de gestação.


"En politique ... jamais reculer, ne jamais se rétracter ... jamais admettre une erreur"
Napoleão Bonaparte


Dando uma vista de olhos por algumas delas, temos:







Por aqui se nota que o Presidente da Câmara directamente presidia a estas empresas. E indirectamente quem se imagina presidia às outras participadas?
E SE tivesse acontecido por aqui como noutros concelhos (factos que não estão aqui apurados), onde a Presidência do Conselho de Administração, ou pertença a ele, dava direito a remuneração adicional, isto era mais do que o milagre a multiplicação dos pães e dos peixes; quantas mais empresas melhor … enquanto houvesse dinheiro ou crédito.


"Les hommes sont comme les chiffres, ils n’acquièrent de la valeur que par leur position"
Napoleão Bonaparte


E, a seguir, a promotora e detentora do "monstro":




A distribuição do capital social ficou assim: 49% para a Câmara Municipal (usando como intermediária a E.M. Nordeste Activo); 41% para os Irmãos Cavaco; 10% para vários pequenos empreiteiros locais.
Será que algum destes “locais” tinham, ou tem, algum interesse na exploração desta estrutura? Será que a participação destes “pequenos e locais” não terá sido “coagida”, de forma a darem uma “fictícia” imagem de interesse local ao empreendimento? 


"Il existe deux leviers pour faire bouger un homme: la peur et l’intérêt personnel"
Napoleão Bonaparte


... e continuando com o texto da auditoria do TdC:



Não eram do seu conhecimento? Então a Câmara Municipal controlava 49% do capital, podia controlar a voz dos “pequenos locais”, pagava as facturas e dirigia as operações e, ainda assim, alega que não tinha conhecimento dos estudos de viabilidade, relatórios de acompanhamento, planos e orçamentos? E uma alegação destas podia ficar por aqui, sem que o TdC, ou outros, atribuíssem quaisquer consequências a esta postura? E esta "ocultação" não cheiraria já a "esturro" nessa altura?
Tanto podia ficar sem resposta ao TdC que ficou e as consequências, que estão à vista, não eram difíceis de prever.


"L'art de la police est de ne pas voir ce qu'il est inutile qu'elle voie"
Napoleão Bonaparte


Como há imensa matéria estranha nesta administração, reserva-se para outra publicação análise mais detalhado, que se poderá encontrar no link abaixo:

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E poderá imputar-se responsabilidade a apenas uma figura por todo este "acto de corso"? Naturalmente que há sempre um líder mas estes, experientes e astutos como habitualmente são, não deixariam de semear "seguros de vida" através de distribuição de responsabilidades e, naturalmente, dos respectivos "prémios de risco" ou "compensações". Um lobo isolado tem de se contentar com presas limitadas; a alcateia é que lhe permite "caça grossa". E essa alcateia convêm que se mantenha estável e limitada, mais não seja que por uma questão de treino e entrosamento no "métier" e, já agora, por uma questão de solidariedade e necessidade de protecção mutua.

Se olharmos bem para o historial (de décadas) desta Câmara (ou para a construção de piscinas de Câmaras), os colaboradores próximos, na área do "cimento", parecem ser tendencialmente os mesmos: quer nas engenharias, quer na fundamentação ou protecção jurídica, quer na Divisão Administrativa e Financeira da Câmara, quer na fundamentação e previsão económica, quer na execução das obras e mesmo no financiamento. E não encontramos entre estes "actores" muitos votantes, residentes ou oriundos destes concelhos.

Já em 2007 o TdC levantava a ponta do véu acerca desse mesmo assunto (estranha repetição de "caras" conhecidas plantadas nesta paisagem):
http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2007/audit-sratc-rel023-2007-fs.pdf


Mas esse mesmo acto exposição, tímido e até contido, não levou a consequências úteis, alinhadas com a protecção dos interesses da maioria dos eleitores. É como se tivesse detectado as infracções, ou sinais de condições propicias ou preparatórias à sua ocorrência, mas mais não se tivesse feito do que uma singela e, eventualmente, tardia exibição "fotografia" da situação. Nada parece ter sido feito em termos de prevenção ou de desencorajamento de abusos. Assim, se abusar é "doce" porque não fazê-lo?

E, no meio de tudo isto, onde poderemos encontrar espaço, ou razões, para uma Câmara por em movimento um processo destes? Por agora ocorrem-me ecos do filme "All The President's Men" e da respectiva receita "Follow the Money" -  e, ainda, das frases de Napoleão Bonaparte:
"
Ninguém tem o coração do lado oposto ao dos seus interesses" ou
"
Os homens básicamente são movidos por duas alavancas: a do medo e a do interesse pessoal".




E, pelos sinais que se vão notando, nem a qualidade da construção foi compatível com o seu custo, pois os mármore vai caindo ...




... os mosaicos, rebocos, portas e outros vão desabando ... ou fugindo para locais de necessidade mais "urgente" ...









E, segundo consta, tudo isto teve uma fiscalização:
http://www.icsa.pt/client/skins/a_negocio.asp?cat=30


.... que, por sinal, parece ter sido "eminência parda" quase "siamesa" desta Presidência de Câmara, tendo-a "aconselhado" e "ajudado" em, aparentemente, grande parte do relacionado com obras e respectivos financiamentos, desde a "nascença" desta presidência de executivo (quase duas décadas). E esta "fiscalização", tanto quanto se imagina, para além do habitual controlo financeiro e contratual, deveria ter feito controle de conformidade com projecto e qualidade da execução e materiais.
E, se calhar, até fez mais do que se imagina. Se calhar fez mais porque, eventualmente, jogava numa posição central onde teria de atender às orientações da câmara, teria de justificar os enormes trabalhos-a-mais, teria  de gerir as alterações de projecto, teria de seguir os ajustamentos do contrato e teria de compaginar com as consequentes alterações de obrigações entre as partes. E essas alterações só poderiam ter sido aprovadas directamente pelo presidente da Câmara ou, indirectamente, através de "procuração" passada formalmente, ou tacitamente, ao presidente da empresa promotora (da Câmara) ou a esta "fiscalização".



 




  http://www.afa.pt/Default.aspx?ID=116&ProductID=PROD175


 Até o concessionário do gás de aquecimento perdeu a fé; desistiu de manter acesa a vela ao "defunto" e redirecionou o reservatório de combustível para outros "arraiais". 



Fitness Club!

Tanto quanto se sabe, o seu equipamento nunca aqui chegou. Nunca chegou a ter calendário e ninguem espera que neste universo populacional (menos de 950 pessoas) haja  procura que justifique a sua operacionalidade ou mesmo manutenção (iluminação, água, energia, limpeza, treinadores e funcionários de apoio).

Consta que esta cave não estava prevista no projecto inicial. Assim, foi construída com a justificação de ser necessária para alojar os equipamentos de apoio à piscina (bombas, filtros, tratamento, caldeiras, etc) e, "de passagem", acomodar um Fitness-Club.
E consta também que só neste "pequeno" ajuste (cave) foram "enterrados" perto de três milhões e meio de euros a título de trabalhos-a-mais.
Será que o projectista se havia esquecido de reservar espaço para os equipamentos
necessários? Será que se havia esquecido de projectar esses mesmos equipamentos? Uma coisa é certa: quase todos os intervenientes neste processo eram profissionais dos ramos envolvidos e, portanto, sabiam algo acerca das "linhas com que se coziam". A ingenuidade aqui parece ter sido proporcional ao interesse público desta obra.


E terão estes abusos ocorrido apenas no "ecossistema" do Poder Local? E será que na actual arquitectura legal, e de disputa de poder político, este tipo de acções continuará a premiar, inclusive com imunidade a consequências rectificativas, quem exerce este tipo de poder “democrático”? Se nenhuma alteração importante acontecer no panorama jurídico Nacional e na máquina administrativa e financeira do Estado, a resposta a esta questão é simples. Habitualmente, num mesmo ambiente, as mesmas causas provocam as mesmas consequências.

Uma coisa parece ser certa: seguindo-se este tipo de caminho, o poder até aqui na esfera dos eleitos poderá deslizar (ou já deslizou) para o campo de credores. E esses credores têm, normalmente, músculo político e são competentes em reivindicar e exigir os proveitos das suas “conquistas”.

Nessas circunstâncias, vote-se em quem se votar, a prestação terá de ser paga, mesmo que a "divida colectiva" tenha sido feita à revelia de qualquer "procuração" passada pela maioria eleitora e/ou, eventualmente, tenha sido feita em beneficio maioritariamente de terceiros.
A capacidade dos eleitos “festejar” com uns e enviar a conta para outros pagarem parece ser um afrodisíaco endémico do actual sistema “democrático” Luso.


Não gosto desta citação mas, às vezes, questionome acerca da sua pertinência:
Democracy ... never lasts long. It soon wastes, exhausts, and murders itself. There is never a democracy that did not commit suicide.
John Adams (2º President of the USA)

 
E onde estiveram os olhos, voz e músculo de todos aqueles que podiam ter visto e impedido, mas que não viram nem impediram? E onde estarão as contas e historial daquela constelação de Empresas Municipais e participadas? Será que o novo Executivo da Câmara encontrou muita coisa nos arquivos para além dos totais a pagar?

Habitualmente os novos executivos costumam mandar auditar a administração dos seus antecessores e este poderá não ser excepção. Mas servirão essas auditorias para mais do que proteger os novos de contaminação de responsabilidades dos anteriores? Não poderão estas servir para impor a recomposição da situação e correcção dos danos ilegitimamente infligidos à autarquia? Se olharmos para o que aconteceu no passado em outros municípios, ou em circunstâncias semelhantes, não se terá grandes expectativas.



Um artigo interessante de Clara Ferreira Alves, no Expresso,
sobre a justiça destas e doutras coisas.http://expresso.sapo.pt/a-justica-criminosa=f144117

Olhando agora para o futuro que se espera: será que despedindo funcionários e taxando ainda mais os munícipes se consegue pagar a dívida acumulada com o especial contributo desta piscina?

Se esta Câmara (ou as muitas outras em semelhantes circunstâncias) entrar em situação algo próxima de insolvência, que "activo" (valor) se julga ter ela capaz de alimentar, ou satisfazer, os credores? Serão as magras receitas de taxas e licenças? Ou será a concessão (privatização), "ad-aeternum", do sistema fundamental de suporte de vida da população: "a captação e distribuição de água"?
E se a "captação e distribuição de água", razão principal de existência das pequenas Câmaras rurais, passar para a posse de terceiros (privatização), de que servirá mantê-las (as Câmaras)? Só se for como "cobradoras" de impostos (IMI's e IMT's), destinados a pagar juros de créditos aplicados em ilegitimos “arraiais e orgias” de executivos municipais como este.


Saramago, no desabafo do link abaixo, deveria saber porque houve, e continua a haver, tanta privatização:
http://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=141&doc=7935


E estarão os principais responsável por tudo isto preocupados? Não parece; para aí virados é que eles dormem bem. Tem quase sempre à mão um "expert" que os guie pelos labirínticos atalhos da lei e lhes protejam das justas consequências. E se alguma ponta solta aparecer haverá sempre um “bode expiatório” que, em troco de ingénuo ou imerecido “rebuçado”, assinou o que não devia.


Em tempos ouvi, em Vila Franca, a propósito de alguma coisa alguém exclamar: “… isso não é vergonha alguma; vergonha é ser apanhado a roubar e não ter para onde fugir”.



segunda-feira, 7 de abril de 2014

Vila da Povoação e Porto de Recreio - S. Miguel - Açores

Vila da Povoação e Porto de Recreio
S. Miguel - Açores
Azores - Portugal

Nem todas as manhãs de Inverno são assim.
 

À aproximadamente uma década atrás foi construido o porto de recreio na Povoação. Uma infraestrutura que não era determinante nem fundamental para o local, mas que acrescentaria valor se abrigasse e facilitasse a varagem das poucas embarcações que ali existiam ou passassem, ou que poderiam realisticamente vir a existir ou passar.


Obra interessante, de iniciativa do actual P. da Câmara. Só pecou por ter sido talhada à medida dos meios que então a autarquia possuía, apesar de, alegadamente, o consultor/projetista ter manifestado as suas reservas sobre a suficiência do decidido. Afinal, se a maior parte da despesa ia ser feita; porque não a completar?
Mas quem pode ter tudo? Se não se pode fazer tudo ... faz-se aquilo que se pode, terá eventualmente ele pensado. O processo político e eleitoral pode ser complexo e poderiam ser necessárias reservas para obras noutros pontos da geografia concelhia.


E aquilo que não se fez na altura parece que está a ser feito agora. E que novo complemento!  Parece que estas obras de acerto tem um volume maior que o projecto completo e inicial para este porto! A Tecnovia parece não ter grandes razões de queixa dos efeitos da actual crise nacional! 






Esta Vila merecia um porto destes. E um porto destes, ajustado à realidade física e humana local,  nem é complexo nem necessita de ser caro. Oxalá os seus habitantes não tenham de pagar exorbitâncias para poder beneficiar deste mimo. De exorbitâncias talvez tenha sido suficiente a Piscina Coberta (c/ encargos vários associados: 5 milhões).

Abjudicação da obra foi de 4.000.000 € (A.O. 27/09/2012). Sabendo-se que as obras marítimas costumam ter orçamentos iniciais que facilmente derrapam para próximo dos mais 50%, poderá vir a ter-se aqui um fecho próximo dos: 6.000.000€.  Este poderá vir a ser o custo final não de construção de porto mas apenas e tão só do "melhoramento de operacionalidade"). 
O valor final da obra será este, ao qual se deverá adicionar o valor atualizado da obra inicial (despesas à data, actualizadas para o dia de hoje às taxas de juro vigentes). E tudo isto feito em nome, e para beneficio, das 3300 pessoas da Vila e Lombas.

Assim, assumindo que a obra inicial custou o mesmo que este melhoramento, poderemos ter o seguinte cenário representativo da atenção aos reais interesses da Povoação por parte dos órgãos de governo (concelhio ou não) eleitos. Estes órgãos são os que podem decidir fazer despesa ou divida em nome de terceiros: em nome de quem votou a favor; de quem votou contra e, acima de tudo, de quem não votou nem validou essas decisões.:
Custo do porto e recreio, completo (6M€+6M€)         12.000.000€

Custo da piscina coberta:                                               5.000.000€
Custo total destes dois "mimos":                                 17.000.000€
Custo total, por família da Vila e Lombas (4 pess/fam.):  21.000 €
Principais Empreiteiros beneficiados com estas abjudicações: todos com sede fora da Região, da Ilha ou do Concelho.









Numa de manhã solarenga de Inverno (fotos seguintes)!

Local muito bonito e agradável, que talvez merecesse outro volume de procura e natureza de ocupação.
Mas, "milagres" desses não existem; por se fazer obra municipal de recreio num Concelho periférico o mundo não se altera. Para esta ser útil, é necessário que exista quem possa (e queira) recrear-se por aqui e, sem notória dor, compensar quem fez o sacrifício inicial de construir isto. E essa compensação só se obtém integrando este recreio num negócio mais vasto de colheita de receitas - e só é real se o local for notoriamente e extensamente procurado e usado.
Todavia, ai,  em matéria de negócios rentáveis, as autarquias (e autonomias) tem um curriculum pouco invejável. A especialidade deles tem sido construir qualquer coisa, com "ofertas" da "Europa" cobrindo 85% dos custos declarados e com crédito bancário ilimitado. Quem não esteve no comboio dos partidos do poder, não teve acesso a estes banquetes de "85%", nem ao crédito bancário garantido por outros. 

Mas esses, os que estivaram de fora, mesmo assim e com grande probabilidade, poderão vir a ser "chamados à pedra" para "juntar e limpar os restos da festa" ...e pagar as consequências ...

O causa provável da ocorrência sistemática destas iniciativas "exorbitantes" é que a maioria das administrações autárquicas (e outras publicas) se vão sucedendo, umas atrás das outras ... imunes às consequências negativas (custos de manutenção e encargos de divida) daquilo que decidem e fazem ... e assumindo que, quem vier atrás, que "varra a casa", "conserte o telhado", "venda o gado" e "feche as portas" ...







Mas que o porto valorizou a Vila, valorizou. É verdade que foi muito mais no domínio paisagístico e urbano do que no domínio do apoio ou promoção das atividades ligadas ao Mar. Mas antes isso do que nada, dirão muitos; há quem compre carros que não são necessários para o transporte; há quem compre óculos escuros para usar em interiores ou no Inverno nebuloso. Enfim, esta obra marítima teve pouca ligação ao mar mas permitiu uma "cara lavada e cuidada" à Vila da Povoação. Tivesse a Ribeira Grande conseguido o mesmo (sem pagar 10 pelo que vale 2) e já teria mais algum aspecto de cidade.













Parece que a Tecnovia se dá bem com os ares da Povoação ... melhor mesmo que os nativos ...